Entenda o ciclo de carrapatos e pulgas, como removê-los com segurança, quais antiparasitários existem e quando os sinais indicam risco de erliquiose.
Por Equipe VetVirtual — Conteúdo revisado pela equipe veterinária VetVirtual, com base em literatura veterinária atual.
Resposta rápida: Carrapatos e pulgas são parasitas comuns em cães que, além do incômodo, podem transmitir doenças como erliquiose, babesiose e causar dermatite alérgica. O controle eficaz combina remoção correta, uso de antiparasitário adequado ao perfil do cão e cuidado com o ambiente onde ele vive. Sinais como apatia, febre e sangramentos após exposição a carrapatos merecem avaliação veterinária rápida.
O ciclo do carrapato
O carrapato mais associado a cães no Brasil passa por diferentes fases — ovo, larva, ninfa e adulto — e pode viver boa parte desse ciclo no ambiente, não apenas no corpo do animal. Fêmeas adultas, depois de se alimentarem de sangue, caem no chão e podem colocar milhares de ovos em frestas, jardins e cantos da casa, o que explica por que uma infestação pode se espalhar rapidamente pelo ambiente.
Por isso, encontrar um carrapato no cão quase sempre significa que há outros em diferentes estágios no ambiente ao redor, reforçando a importância de tratar a casa e o quintal, e não apenas o animal.
O ciclo da pulga
As pulgas também têm grande parte do ciclo de vida fora do corpo do cão. Os ovos colocados pela fêmea caem no ambiente — tapetes, sofás, camas — e se desenvolvem em larvas e pupas antes de virarem pulgas adultas, que voltam a infestar o animal. Isso significa que, mesmo tratando o cão, se o ambiente não for cuidado, a infestação tende a reaparecer.
Doenças transmitidas por carrapatos e pulgas
Esses parasitas não causam apenas incômodo e coceira, podendo transmitir doenças relevantes:
Erliquiose: transmitida pelo carrapato, afeta células sanguíneas e pode levar a quadros graves de anemia e sangramentos.
Babesiose: também transmitida por carrapatos, ataca as hemácias e pode causar anemia intensa e icterícia.
Dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP): reação alérgica à saliva da pulga, causando coceira intensa mesmo com poucas picadas.
Tênia (verme intestinal): pode ser transmitida ao cão que ingere pulgas durante o autolambimento.
É importante destacar que o verme do coração (dirofilariose) não é transmitido por carrapatos ou pulgas, mas sim por mosquitos, o que às vezes gera confusão entre os tutores.
Como remover um carrapato corretamente
A remoção incorreta pode aumentar o risco de transmissão de doenças, então alguns cuidados são importantes:
Use uma pinça própria para carrapatos, ou uma pinça de ponta fina.
Segure o carrapato o mais próximo possível da pele do cão, pegando pela "cabeça".
Puxe com um movimento firme e constante, sem torcer ou apertar o corpo do parasita.
Evite usar álcool, fogo ou outros métodos caseiros para "fazer o carrapato soltar", pois isso pode fazer com que ele regurgite conteúdo infectado.
Após a remoção, limpe o local com antisséptico e observe a pele nos dias seguintes.
Descarte o carrapato em álcool ou queimando-o, nunca esmagando com os dedos.
Tabela comparativa de antiparasitários
Existem diferentes formatos de antiparasitário no mercado, cada um com características próprias. A escolha ideal depende do estilo de vida do cão, presença de outros animais em casa e orientação de um médico-veterinário.
Tipo
Duração aproximada
Observações
Comprimido oral
1 a 3 meses, dependendo do produto
Ação rápida, boa opção para cães que nadam ou tomam banho com frequência
Pipeta (spot-on)
1 mês, em geral
Aplicação tópica na pele, evitar banho nos dias próximos à aplicação
Coleira
Vários meses, conforme o produto
Proteção contínua, mas eficácia pode variar com molhagem frequente
Spray
Semanas, com reaplicações mais frequentes
Útil para tratamento pontual ou reforço em áreas específicas
A combinação de mais de um método deve ser sempre orientada por um profissional, já que associar produtos sem critério pode gerar toxicidade.
Controle do ambiente
Como boa parte do ciclo de vida de pulgas e carrapatos acontece fora do cão, cuidar do ambiente é essencial para o controle definitivo:
Aspire tapetes, sofás e frestas regularmente
Lave roupas de cama do cão com água quente
Mantenha o quintal com grama aparada e livre de entulho
Use produtos ambientais específicos para pulgas e carrapatos quando indicado
Evite contato do cão com áreas de mato alto ou terrenos baldios em regiões de infestação conhecida
Sinais de erliquiose que exigem veterinário
A erliquiose pode ter evolução silenciosa no início, mas alguns sinais indicam que é hora de buscar atendimento com urgência, especialmente se houve exposição recente a carrapatos:
Apatia e fraqueza
Febre
Perda de apetite
Sangramento nasal ou gengival
Palidez nas mucosas (gengiva, ao redor dos olhos)
Manchas roxas na pele ou barriga
Perda de peso progressiva
Diante desses sinais, o ideal é buscar um veterinário de emergência online para uma primeira orientação, já que o diagnóstico definitivo exige exames laboratoriais feitos presencialmente.
Prevenção por região e estação
Em regiões de clima quente e úmido, carrapatos e pulgas tendem a se proliferar durante praticamente o ano todo, enquanto em áreas de inverno mais rigoroso a atividade pode diminuir nos meses mais frios. Cães que frequentam áreas de mato, parques ou têm contato com outros animais de rua estão mais expostos e podem precisar de proteção contínua, sem interrupções entre uma aplicação e outra.
Manter um calendário de reaplicação do antiparasitário, alinhado com a rotina do seu cão, ajuda a evitar períodos sem proteção. Ferramentas como as calculadoras do VetVirtual podem ajudar a organizar datas de vacinas, vermífugos e antiparasitários em um só lugar.
Quando falar com um veterinário
Se você encontrou muitos carrapatos ou pulgas no seu cão, notou sinais como apatia, febre ou sangramentos, ou tem dúvidas sobre qual antiparasitário é mais adequado para o perfil do seu animal, o ideal é buscar orientação profissional. Apenas um médico-veterinário pode avaliar o cão presencialmente, solicitar exames quando necessário e indicar o tratamento correto.
Converse com a nossa equipe para tirar dúvidas sobre prevenção, sinais de alerta e os próximos passos para o seu cão.
Não é recomendado, pois pressionar o corpo do carrapato pode fazer com que ele regurgite conteúdo infectado na pele do cão, aumentando o risco de transmissão de doenças. O ideal é usar uma pinça própria, puxando com firmeza e sem torcer, próximo à cabeça do parasita.
Pulga transmite alguma doença grave para cães?
Sim, além do incômodo e da coceira, pulgas podem causar dermatite alérgica à picada de pulga e transmitir vermes, como a tênia. Em infestações intensas, especialmente em filhotes, também podem levar à anemia.
Como saber se meu cachorro tem erliquiose?
Sinais como apatia, febre, perda de apetite, sangramentos, palidez de gengiva e sangramento nasal podem indicar erliquiose, especialmente se houve histórico recente de carrapatos. O diagnóstico exige exames feitos por um veterinário, então a suspeita deve ser levada a atendimento o quanto antes.
Coleira antipulgas e carrapatos realmente funciona?
Coleiras de qualidade e com princípio ativo comprovado podem oferecer proteção contínua por vários meses, mas a eficácia varia conforme o produto e a exposição do cão ao ambiente. É importante escolher com orientação veterinária e não misturar diferentes antiparasitários sem indicação.
Preciso tratar a casa além do cachorro?
Sim, principalmente no caso de pulgas, já que grande parte do ciclo de vida delas acontece no ambiente e não no corpo do animal. Lavar roupas de cama, aspirar tapetes e usar produtos ambientais específicos ajuda a quebrar o ciclo de infestação.
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